



A equipa Vodafone, constituída por Pedro Lamy/José Pedro Fontes/António Coimbra/Luís Silva (BMC-BMW), inscreveu o seu nome como vencedora da 13ª edição das 24 Horas TT Vodafone-Vila de Fronteira, pelo que bem se pode dizer que o triunfo ficou "em casa"... mas com total justiça!
Deste modo, os pilotos nacionais interromperam seis anos de domínio dos concorrentes franceses naquela que foi a edição mais concorrida do evento nestes últimos tempos, com nada menos do que 92 equipas e 345 pilotos presentes.
O domínio dos vencedores foi incontestável, uma vez que lideraram desde a primeira curva até ao baixar da bandeira de xadrez. Com um carro que apresentou uma grande fiabilidade mecânica, os homens da Vodafone apenas tiveram de fazer as manutenções mais aconselhadas numa prova com estas características, sabendo evitar de forma perfeita as dificuldades resultantes da degradação do piso e das constantes ultrapassagens que foram obrigados a fazer.
Para Pedro Lamy, «este foi o triunfo de uma equipa e de um carro muito bem preparado. Soubemos não cometer erros e isso foi determinante para o resultado conseguido. O BMC é um carro ideal para esta prova, não só devido ao motor BMW a diesel com um óptimo binário, que muito ajudou nas ultrapassagens, mas também pela dimensão das rodas, que contribuiu para ultrapassar com maior facilidade a progressiva degradação da pista.»
De início, a formação da Letónia, liderada por Andris Dambis, com o espectacular Oscar O24H especialmente concebido para Fronteira, com um potente motor de um Corvette 8l, foi a ameaça mais importante para os pilotos portugueses, mas a 13ª hora seria fatal para as aspirações da equipa de Leste, obrigada a desistir com a caixa de velocidades partida.
Curiosa a situação vivida entre a 15ª e 18ª horas, com os lugares do pódio totalmente preenchidos por equipas portuguesas, com o Bowler Wildcat de Manuel Rosa e Lino Carapeta na segunda posição e a Isuzu Dmax de Rui Sousa e Edgar Condenso no terceiro lugar. No entanto, essa classificação acabou por ser totalmente alterada depois da Isuzu ter problemas de embraiagem e do Bowler ter partido um braço de direcção.
Esse facto permitiu que as equipas francesas subissem alguns lugares na geral na parte final da prova, muito embora nas últimas horas a diferença entre elas já não permitisse grandes lutas pela discussão de lugares, pois as diferenças registadas eram de pelo menos uma volta.
Deste modo, a formação liderada por Aurélie Beyris acabou por conseguir um excelente segundo lugar, impondo-se ainda na categoria de duas rodas motrizes, à frente dos seus compatriotas do Caze Buggy Nissan de Laurent Dornel, que perdeu algum terreno durante a noite com problemas de suspensão.
Os vencedores do ano passado, a equipa liderada por Mário Andrade, não foram tão felizes nesta edição, pois imensos problemas de travões no Moncé Clio V6 acabaram por condicionar a sua actuação.
Saliência ainda para o quinto posto da formação de Manuel Rosa e Lino Carapeta, num Bowler Wildcat, segunda melhor formação nacional, e para Rui Lopes que se impôs para o Desafio Elf/Mazda, ao terminar no sétimo lugar final.
Ao contrário do que se poderia pensar, a 13ª edição das 24 Horas TT Vodafone-Vila de Fronteira não foi aziaga para as expectativas do Automóvel Club de Portugal (ACP), entidade organizadora da prova: bem pelo contrário, esta promete ser uma das edições mais concorridas de sempre, com nada menos do que 94 equipas inscritas, o que não deixa de ser absolutamente fantástico no final de uma temporada de todo o terreno marcada exactamente pela escassez de participantes.
De salientar que estas 94 equipas se traduzem em 350 pilotos inscritos, o que representa um número assinalável e que dá uma ideia bem precisa da dimensão e da importância que a grande festa do TT nacional representa, tornando-a cada vez mais numa "clássica" indispensável no calendário nacional.
Mas para além da saliência desportiva, há ainda a componente económica, com as 24 Horas TT Vodafone a levarem a Fronteira milhares e milhares de pessoas, de tal forma que a hotelaria da zona está neste momento praticamente esgotada, com um importante retorno financeiro para aquela povoação alentejana e arredores.
Aliás, este interesse pela prova alentejana trouxe mesmo inesperadas dificuldades à organização, uma vez que o espaço disponível para boxes não comporta tantos concorrentes, valendo o salutar desportivismo que se regista no TT para que fosse possível nalguns casos albergar duas equipas no mesmo espaço, criando assim condições para que todos os interessados pudessem estar presentes em Fronteira.
Se a prova tem o sucesso garantido pela quantidade de participantes, o mesmo se pode dizer no tocante à qualidade dos mesmos, com a presença de nomes bem consagrados quer no TT quer noutras vertentes do desporto automóvel, a que se juntam os grandes especialistas neste estilo de provas de resistência, onde uma boa preparação do carro e um doseamento de andamento são por vezes mais importantes do que a capacidade de andamento de cada um.
Assim, estarão presentes em Fronteira nomes como Mário e Alexandre Andrade, vencedores do ano passado, Nicolas Gibon, vencedor em 2008 e segundo em 2009, Carlos Sousa, que regressa uma vez mais em Fronteira, Pedro Lamy, Miguel Barbosa, o Oscar da equipa letã Dambis/Saukans/Skoks e a alemã Ellen Lohr, entre muitos outros, garantia de que valerá a pena acorrer ao Terródromo de Fronteira para um fim-de-semana bem passado.
Refira-se que um dos grandes pólos de interesse da edição deste ano é verificar se as equipas portuguesas conseguirão colocar um ponto final no domínio das formações estrangeiras que vem já de há seis edições a esta parte, pois o último sucesso de pilotos portugueses data de 2003!
Esta será a última competição válida para o Desafio ELF/Mazda 2010, iniciativa que ficou decidida em Portalegre, com João Pedro Pais a revalidar o seu sucesso.
A 13.ª edição da prova de Fronteira inicia-se na sexta-feira, dia 26 de Novembro, com a realização dos treinos entre as 14h00 e as 18h30. No sábado de manhã, dia 27, entre as 8h00 e as 9h00, terá lugar o warm-up. Pelas 12h00 horas será dada a partida oficial para a corrida que terminará, logicamente, às 12h00 de domingo, dia 28.
A equipa foi apresentada em Coimbra na passada sexta-feira, reunindo patrocinadores e um grande número de amigos que quiseram conhecer de perto a ‘máquina’ e desejar aos pilotos, Miguel Abrantes e Carlos Jorge Mendes, felicidades para a corrida.